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sábado, novembro 25, 2006

Como num filme

Um trem, uma linha abandonada e um som de flauta ao fundo... O suficiente pra fazer de uma pequena e rápida viagem um mar de pensamentos sobre a vida e seus acontecimentos inusitados...

Um senhor que provavelmente tem muitas histórias pra contar da vida, que já fez muito, que já viu muito, ganha uns trocados com músicas conhecidas sopradas num pedaço de madeira. A imagem enternece... e leva o pensamento pra beeem longe...

Como a vida dá voltas... a gente acha que controla os caminhos como os trilhos conduzem o trem, mas na verdade ela pode escolher outros pelos quais nem imaginamos. Todos os dias acordamos com possibilidades que nunca sonhamos, abrimos a porta para horas que podem não ser nada daquilo que planejamos...

Tudo pode ser diferente!! As coisas que faremos, os lugares por onde passaremos, as pessoas que conheceremos, os sentimentos que teremos...

Tudo é possível, tudo é incontrolável... não somos tão donos e detentores do nosso destino como imaginamos que somos...

Um senhor, uma flauta, uma linha de trem... um caminho e uma vida a seguir... Que rumo tomarão?

segunda-feira, novembro 20, 2006

Estrelas de felicidade

Felicidade é uma estrela que de tão grande não cabe no universo do coração da gente, e por isso deixa vazar sua luz pelos olhos.

É sempre presente, mesmo que em alguns momentos a gente não possa ver. Ela está lá, esperando o momento certo e mágico para aparecer.

Ela tem sim o reflexo do brilho de outras estrelas, maiores, que juntas fazem um espetáculo no céu da vida.

Estrelas de felicidade... algumas pessoas tem o dom de fazer brilhar toda uma constelação dentro da gente...

quarta-feira, novembro 15, 2006

Últimos instantes

Meu pai costumava carregar uma mensagem com ele, na bolsa de viagem (hoje sou eu que a carrego), que entre muitas coisas marcantes dizia o seguinte: "sempre deixe as pessoas que você ama com sorriso e com palavras de afeto: nunca se sabe quando elas serão tiradas de você".

Por mais exagerada que possa ser, eu acredito que isso é um aviso para que a gente não deixe nosso mau humor e nossa mágoa corroerem as boas coisas que as pessoas são ou foram em nossa vida.

É muito difícil olhar nos olhos, esquecer a briga, evitar a cara feia quando se está bravo. Ou quando a mágoa chegou lá fundo do coração. Nossa capacidade de cura interna é mais longa do que a de vários ferimentos externos.

Mas assim como somos feridos também ferimos, e para ambos os casos a frase é válida. Cuidado ao ferir e cuidado ao virar as costas e não buscar acabar o assunto com boas palavras. Cuidado ao ir embora e deixar um coração magoado. Cuidado ao levar o coração magoado e talvez deixar um outro arrependido.

Somos frágeis. Tudo pode mudar em questão de segundos. E o que poderia ter acabado num abraço, num suspiro ou numa risada, pode ser eternamente gravado em nossa vida com lágrimas bem amargas.

A gente tem o costume de deixar uma coisa ruim destruir muitas boas. Estamos desacostumados a pedir perdão, a segurar no braço e não deixar ir embora antes de resolver, ou de dar um abraço.

A gente nunca deveria esquecer essa frase:

"sempre deixe as pessoas que você ama com sorriso e com palavras de afeto: nunca se sabe quando elas serão tiradas de você".

Eu prometo que estou tentando.

domingo, novembro 12, 2006

Confidentes

Quero botar pra fora essa angústia que mora aqui dentro de mim.
Quero falar, quero gritar, quero pedir, partilhar...
Meus pápeis cumprem a função de ouvidos, detentores de meus segredos e conflitos.

Quando eles não estão por perto as idéias se perdem, ficam sem registro...

quarta-feira, novembro 08, 2006

Reflexões da última semana

Resolvi jogar pro alto todos os meus sonhos, na esperança de que voltem para mim apenas os possíveis e de que fiquem suspensas todas as ilusões.

Percebi que os fantasmas que achei que tinham ido embora ainda moram no armário.

Entendi que por mais amigos que se tenha, não são muitos os que te conhecem de verdade e se importam com você. Muitos deles acham que sabem ouvir, quando na verdade só escutam o que lhes interessa. Mas todos querem ser ouvidos.

Às vezes acho que penso demais no coletivo.

Com frequência penso que que não sou minha pessoa preferida.

Hoje eu queria ir pra casa.

Preciso recarregar minhas baterias.

quinta-feira, novembro 02, 2006

Metades inteiras

Metade da laranja, tampa da panela... quem foi que disse que nascemos incompletos???

Passamos a vida inteira em busca de alguém que nos complete, quando na verdade o segredo da felicidade está em nós mesmos.

Só podemos ser felizes e fazer alguém feliz quando estivermos completos de coisas nossas, pessoais; quando formos felizes pelo que somos, completos com o que temos em nós.

Não podemos ficar esperando que alguém venha preencher algo que não temos. As pessoas não se completam. Elas agregam coisas e sentimentos à nossa vida. Dão adicionais especiais, cor, luz, mas não preenchem espaços.

Se formos vazios, estaremos apenas tapando buracos e depositando expectativas em pessoas, muitas que elas nem mesmo conhecem.

Por isso temos que ser como queijo e marmelada: quando se juntam tem um nome diferente e um toque especial, mas mesmo sozinhos cada um tem seu sabor.

quinta-feira, outubro 19, 2006

Viagens subterrâneas

Entro na grande caixa metálica que me leva para o lugar onde preciso chegar, mas que também me faz viajar no meu mundo interior.
Num piscar de olhos as paredes de concreto tão cinzas ganham um colorido especial.
Cores que chamam, que convidam a brincar e a sonhar...
Quantos sonhos contruídos em minutos que passam rápido, como no compasso de uma música velha e conhecida.
Mas de repente, uma voz: "próxima estação..."
Putz! É a minha!!

Tenho que descer da caixa de sonhos.

quinta-feira, outubro 05, 2006

Pseudos eus

Uma massa gigante de pseudos eus caminha pelas ruas, todos os dias, todas as horas. Têm ritmo de máquinas, não olham para os lados, não percebem os outros, não sentem, não vêem.

Somos todos forçados a sermos pseudos alguma coisa. Assumir de fato quem se é, e no que se acredita pode privá-lo do convívio social tranquilo e sem turbulências.

Quem nunca assumiu uma máscara que não era sua? Quem não vestiu uma "roupagem" que não lhe cabia??? Quantas vezes enganamos os outros, querendo ser mais espertos, e mais bem aceitos, quando no fim só enganamos a nós mesmos.

Há sempre uma justificativa: porque quero esse emprego, porque preciso de amigos, porque preciso de um namorado ou namorada, porque quero ser visto, porque quero status, porque quero que os outros vejam que eu sou... Que você é o quê mesmo???

Quem é você de verdade? O que se esconde por trás das nossas fantasias de pessoas amadurecidas, corretas, completas, perfeitas, cheias de orgulho por coisas que não fazem parte de nós???

Quem foi que estipulou a fôrma do que é bom, certo e bonito? Se somos todos uma grande massa de diversidade, nada mais normal seria fortalecermos e sermos quem somos de verdade. Deixamos que nos comprem por preços baratos, e vivemos na escuridão do baú onde escondemos nosso eu verdadeiro.


Eu não quero precisar caber na fôrma pra ser feliz. Nem para querer e ser querida.

sexta-feira, setembro 29, 2006

A história que escrevemos hoje

Acho que estou um pouco nostálgica... as lembranças de antes estão rondando...
E eu fico olhando o ontem, traçando paralelos com o hoje e com o que vem por aí e fiquei pensando que hoje estamos escrevendo uma história que num espaço até breve de tempo será contada por outras pessoas. Será?

Será que falarão das pessoas que se conheceram e ficaram amigas, e que passaram a falar sobre a vida, sobre profissão, sobre o mundo, sobre o certo e errado?

Falarão das pessoas que conseguiram sobreviver às mudanças dos tempos e às distâncias sendo amigos, mantendo contato, viajando para se encontrar e superando obstáculos juntos?

Vão falar das nossas poesias? Das nossas músicas? Das nossas diversões? Das noites jogando conversa fora, num boteco qualquer, esperando o amanhecer de um novo dia?

Vão falar das nossas preocupações em sermos dignos, corretos, fiéis, éticos, preocupados com os outros? De não nos vendermos por qualquer vintém? De mantermos nossos valores sempre muito expostos, e sempre muito explícitos?

O que faz a história? Quem fica registrado nela?

Ficamos um na história do outro e vai ser sempre assim. Pelos bilhetes, cartas e emails escritos e pelas fotos guardadas, onde sempre aparecerão nossos rostos e que alguém: filhos, sobrinhos, irmãos, afilhados, apontarão e dirão:

"Eram amigos."

Isso é o que mais importa. Pra mim, é o que basta.

sábado, setembro 23, 2006

Qual é a sua felicidade?

Quando a gente é criança a gente gosta de pensar o que quer ser, como vai ser quando for "gente grande". Eu queria ser carteira... Sim, isso mesmo! Eu adorava o carteiro!!!! Eu tinha vários amigos por correspondência (as crianças de hoje em dia nem devem saber que existe esse tipo de amizade) e recebia o carteiro como quem recebe a visita mais esperada!!! Achava lindo uma profissão que era portadora de boas novas, de coisas boas, de palavras bonitas... Hoje eu nem vejo mais quem entrega as correspondências e apesar de receber uma ou outra carta de amigos durante o ano, e cartões no natal e no meu aniversário, o que chega em grande quantidade o ano todo são as contas... (ai...) Mas até hoje o Correio me passa uma coisa boa...

Depois a gente fica mocinha (ou mocinho) e a gente começa a pensar no príncipe encantado (cada um que se adapte, vai ficar muito chato eu colocar duplas expressões pra tudo que for falar), na casa bonita que vamos ter, na mulher bonita que vai se transformar, na família que se vai ter... E aí um belo dia vc descobre que o príncipe encantado não existe, ou talvez nem seja tão interessante assim ter um príncipe encantado, que construir uma família é uma coisa muito complicada e que ter uma casa não depende de ter marido...

A gente faz muitos planos pra vida da gente, todo dia. Mas nem sempre o que está no nosso plano, está no plano de Deus. Ele sempre tem as melhores respostas. As coisas mudam, e às vezes tão drasticamente que na hora não temos tempo nem condições de avaliar o quanto isso é melhor pra nossa vida... E o que é melhor pra minha vida, talvez não seja melhor pra sua vida, e é por isso que o conceito de felicidade é muito relativo.

Se as pessoas parassem de ficar procurando receitas prontas de como ser feliz nas outras pessoas, talvez encontrassem em sua vida motivos para sorrir todos os dias... E descobrissem que a vida é muito mais do que essa corrida louca por status e "panca de bacana" que tanto dizem que é o que importa.

Cada um pode ser feliz à sua maneira! Você já parou pra pensar, sem rótulos, o que é que te faz feliz de verdade?