Um ano tem 365 dias (ou 366, em alguns) em branco, a serem preenchidos com todo tipo de imagem, de som, de cheiro, de situação, de gente, de lugar...São 365 novas páginas que podem ser escritas pedaço a pedaço, dia após dia. E não importa se faz sentido com o que escrevemos ontem, desde que o propósito seja, no fim, ter uma obra repleta de recordações boas, que nos faça sorrir de novo, como na primeira vez. E repleta também de aprendizados, de histórias para contar, de coisas que não podem mais ser feitas, que sabemos que não podem mais ser feitas.
Cada página é escrita pelo dono de cada história, ou seja, cada um de nós. Porém, ela só é completa e só acontece, com a ajuda de outros escritores, que são muito além de leitores e coadjuvantes de nossos contos. São co-autores.
As folhas em branco não são só preenchidas com palavras, mas também com cores, com imagens. Vão além: podem ter música, podem ter sentimento, podem ter cheiro. Enfim, nosso grande livro da vida pode ser do jeito que a gente quiser, quando a gente quiser... Basta só tomar a caneta para se criar...
2007 foi um livro cheio de páginas coloridas, com cheiro de terra molhada e de café, de São Paulo amanhecida. Teve o embalo dos bons rocks e dos sons de dedos rápidos nos teclados e de carros passando. Também teve gente cantando, brincando, correndo. Foi um ano cheio de páginas sérias, mas que são muito necessárias e bem-vindas para construir novos rumos, planos e sonhos.
Foi uma história de gente. De muita gente. De gente que chegou e que se foi, de gente que estava e quis ir, de gente que já estava e continuou e de gente que chegou e quis ficar. Foi com a cor de suas canetas que pintei a minha vida e decorei a minha história neste ano.
Sem eles, meu livro seria só um punhado de páginas em branco ou de monólogos sem graça. Que Deus permita que possamos todo ano celebrar histórias inesquecíveis, as minhas e as suas!
Porque cada pessoa é um mundo, e tem muito mundo nesse mundo pra conhecer
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sábado, dezembro 29, 2007
Escolhas
Levei tanto tempo pra entender
Demorou muito para sarar
Agora que tenho o controle
Quem você pensa que é para me fazer voltar atrás?
Não são tuas palavras bonitas
Nem teus cortejos programados
E nem mesmo toda sua beleza há de me fazer abandonar
Minha liberdade
Meus dias de primavera
Meu boteco com amigos
Meu sono tranqüilo
Meus olhos sem lágrimas
Enfim, não há nada que eu queira abandonar.
Nada.
Demorou muito para sarar
Agora que tenho o controle
Quem você pensa que é para me fazer voltar atrás?
Não são tuas palavras bonitas
Nem teus cortejos programados
E nem mesmo toda sua beleza há de me fazer abandonar
Minha liberdade
Meus dias de primavera
Meu boteco com amigos
Meu sono tranqüilo
Meus olhos sem lágrimas
Enfim, não há nada que eu queira abandonar.
Nada.
quinta-feira, dezembro 27, 2007
Revisitando a dor
Curiosa, quis saber se ali ainda podia encontrar vida. E num movimento sem cálculos nem medidas, abriu os braços para o golpe certeiro. E o sangue correu e as lágrimas rolaram.
A dor foi tão intensa quanto da primeira vez. O pulso latejava, com a cabeça girando, tentando entender por que, se já conhecia o fim, permitira a agressão.
Sentir com cada centímetro do corpo, voltar a ter sensações. Talvez isso justificasse. Talvez não.
A dor foi tão intensa quanto da primeira vez. O pulso latejava, com a cabeça girando, tentando entender por que, se já conhecia o fim, permitira a agressão.
Sentir com cada centímetro do corpo, voltar a ter sensações. Talvez isso justificasse. Talvez não.
Chuva
Quis tanto não chorar que choveu. Torrencialmente.
E cada gota da chuva que caía batia no chão com a intensidade que o coração sentia. Cimento não sente dor. E foi assim que descobriu que não era feita de pedra.
A chuva ainda não parou.
E cada gota da chuva que caía batia no chão com a intensidade que o coração sentia. Cimento não sente dor. E foi assim que descobriu que não era feita de pedra.
A chuva ainda não parou.
sábado, dezembro 15, 2007
O fim do ser e do estar
Como pode alguém ocupar tanto espaço na vida de outra pessoa, mesmo que pareça não existir?
Olho pra casa vazia que ecoa todo som, toda voz e vejo que não são somente os móveis que foram embora. Foi toda a presença de uma vida partilhada. Foram os risos, o arrastar de chinelos, a batida das portas, a cantoria no chuveiro, o cheiro de comida ficando pronta.
Foi tudo isso e foram todos os detalhes desta relação que deixaram este lugar vazio, com seu piso frio, com suas paredes sem cor.
As janelas permanecem cumprindo seu dever de espiãs, de dentro pra fora, de fora pra dentro. Elas, que outrora foram testemunhas de dias felizes, hoje choram, em luto pelo sentimento que se foi...
O fim é um capítulo filmado numa sala branca e vazia.
Olho pra casa vazia que ecoa todo som, toda voz e vejo que não são somente os móveis que foram embora. Foi toda a presença de uma vida partilhada. Foram os risos, o arrastar de chinelos, a batida das portas, a cantoria no chuveiro, o cheiro de comida ficando pronta.
Foi tudo isso e foram todos os detalhes desta relação que deixaram este lugar vazio, com seu piso frio, com suas paredes sem cor.
As janelas permanecem cumprindo seu dever de espiãs, de dentro pra fora, de fora pra dentro. Elas, que outrora foram testemunhas de dias felizes, hoje choram, em luto pelo sentimento que se foi...
O fim é um capítulo filmado numa sala branca e vazia.
Restos que ficam para trás
Tô brincando de me arriscar.
Tô gostando de correr o risco
De me perder
De me esquecer
De não lembrar
De não pensar
Tô querendo experimentar
Me libertar
Botar à prova este velho coração de ferro.
Tô gostando de correr o risco
De me perder
De me esquecer
De não lembrar
De não pensar
Tô querendo experimentar
Me libertar
Botar à prova este velho coração de ferro.
sábado, novembro 17, 2007
O dia em que eu o encontrei
Eu havia esperado por anos, anos mesmo, por aquele encontro. Procurava nos jornais, nos sites e nas revistas por alguma notícia que tratasse da vinda dele, uma das paixões da minha vida, à minha cidade.
Até que, folheando o jornal de um domingo, minha irmã diz: "você viu quem vai estar aqui esta semana?" Gelei. Senti o coração pulsar como se pudesse já prever o que aconteceria em poucos dias.
Os dias que se seguiram foram de intensa espera. Ansiedade, estômago dolorido. Nem a chuva nem o caos da vida me impediriam de sair de casa para vê-lo.
Longa fila para entrar onde nos encontraríamos. Muitas caras, algumas conhecidas. E então, entre todas elas, lá está, ele, em seu silêncio e sua fisionomia pacífica. Cauteloso, sem acessos nem excessos de simpatia. Lindo. Adorável. Tenho vontade de chorar só de pensar que dali, daquela pessoa, por aquelas mãos nascem as palavras que mais gosto de ler e ouvir e que mais me inspiram.
Ouvi atentamente a cada uma de suas palavras, sem conseguir tirar dos lábios o largo sorriso constante. Esperei pelo momento em que poderia dizer para ele todas as coisas que durante muitos anos eu quis dizer.
Com o coração aos pulos, as mãos trêmulas e a voz meio ofegante, quando ele me olhou nos olhos e perguntou meu nome, só pude falar: "Oi, Veríssimo. Eu sou a Luana, uma fã apaixonada por você e seus textos".
Ele riu. E eu também, o resto do dia.
Até que, folheando o jornal de um domingo, minha irmã diz: "você viu quem vai estar aqui esta semana?" Gelei. Senti o coração pulsar como se pudesse já prever o que aconteceria em poucos dias.
Os dias que se seguiram foram de intensa espera. Ansiedade, estômago dolorido. Nem a chuva nem o caos da vida me impediriam de sair de casa para vê-lo.
Longa fila para entrar onde nos encontraríamos. Muitas caras, algumas conhecidas. E então, entre todas elas, lá está, ele, em seu silêncio e sua fisionomia pacífica. Cauteloso, sem acessos nem excessos de simpatia. Lindo. Adorável. Tenho vontade de chorar só de pensar que dali, daquela pessoa, por aquelas mãos nascem as palavras que mais gosto de ler e ouvir e que mais me inspiram.
Ouvi atentamente a cada uma de suas palavras, sem conseguir tirar dos lábios o largo sorriso constante. Esperei pelo momento em que poderia dizer para ele todas as coisas que durante muitos anos eu quis dizer.
Com o coração aos pulos, as mãos trêmulas e a voz meio ofegante, quando ele me olhou nos olhos e perguntou meu nome, só pude falar: "Oi, Veríssimo. Eu sou a Luana, uma fã apaixonada por você e seus textos".
Ele riu. E eu também, o resto do dia.
sábado, novembro 03, 2007
Um minuto para mim
Cada dia um novo dia, uma nova oportunidade para fazer tudo diferente. Muitas horas para serem preenchidas, como a página de uma agenda em branco, com momentos que nunca mais esqueceremos, com encontros que nos proporcionarão risos faceiros, verdadeiros, festeiros.
Temos diariamente uma quantidade enorme de minutos para fazer das nossas vidas felizes. Mas se a gente começa a olhar demais pro relógio, perde tempo com o mundo sério que se esconde por trás dos ponteiros negros do círculo que marca o compasso de nossos passos.
Uma vez por dia devíamos esquecer que o relógio existe. Trabalhar, estudar, correr, planejar, tudo isso fazemos com um único objetivo: ser feliz. Um minuto ou dois, não interessa. O que importa é deitarmos e termos um motivo para fechar os olhos e pensar e sonhar com o próximo minuto em que esqueceremos de tudo para lembrarmos do que mais queremos e precisamos: felicidade...
Felicidade que não tem intenção de ser eterna, apenas de ser intensa enquanto durar.
Temos diariamente uma quantidade enorme de minutos para fazer das nossas vidas felizes. Mas se a gente começa a olhar demais pro relógio, perde tempo com o mundo sério que se esconde por trás dos ponteiros negros do círculo que marca o compasso de nossos passos.
Uma vez por dia devíamos esquecer que o relógio existe. Trabalhar, estudar, correr, planejar, tudo isso fazemos com um único objetivo: ser feliz. Um minuto ou dois, não interessa. O que importa é deitarmos e termos um motivo para fechar os olhos e pensar e sonhar com o próximo minuto em que esqueceremos de tudo para lembrarmos do que mais queremos e precisamos: felicidade...
Felicidade que não tem intenção de ser eterna, apenas de ser intensa enquanto durar.
sexta-feira, outubro 26, 2007
Amor maior
Hoje, enquanto eu dormia no meu fretado, voltando para casa, Deus pintou o céu para mim. Quando abri meus olhos e vi através da janela tanta beleza, meu coração bateu mais rápido. Nenhum outro amor faria algo tão belo para me ver feliz. Só o amor maior.
sábado, outubro 20, 2007
Outono

Hoje eu acordei, abri a janela, respirei fundo e percebi que o outono da minha vida tinha passado, mais uma vez.
Não é que eu não gosto do outono. É porque é quando as folhas perdem o viço, as árvores se desfazem do que é antigo para dar lugar ao novo e os dias ficam cheios daquela imprevisibilidade.
É quando os bichos se escondem, se protegem e se cuidam. É quando a gente cuida do que tem de valioso, daquilo que juntamos ao longo dos dias e que nos dará força quando as tempestades e dias de frio intenso surgirem.
Percebi porque senti que o colorido tinha voltado a fazer parte dos meus dias e estava me fazendo ver tudo com a real beleza que há em cada coisa. E porque percebi que estava na hora de juntar as folhas e galhos secos e jogar fora, para dar lugar ao espetáculo que é quando surgem as flores.
Assim como tudo na vida, o outono também passa. E volta, um dia.
Não é que eu não gosto do outono. É porque é quando as folhas perdem o viço, as árvores se desfazem do que é antigo para dar lugar ao novo e os dias ficam cheios daquela imprevisibilidade.
É quando os bichos se escondem, se protegem e se cuidam. É quando a gente cuida do que tem de valioso, daquilo que juntamos ao longo dos dias e que nos dará força quando as tempestades e dias de frio intenso surgirem.
Percebi porque senti que o colorido tinha voltado a fazer parte dos meus dias e estava me fazendo ver tudo com a real beleza que há em cada coisa. E porque percebi que estava na hora de juntar as folhas e galhos secos e jogar fora, para dar lugar ao espetáculo que é quando surgem as flores.
Assim como tudo na vida, o outono também passa. E volta, um dia.
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