Porque cada pessoa é um mundo, e tem muito mundo nesse mundo pra conhecer
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sexta-feira, maio 04, 2012
Mundo, mundinho, mundão
Caberiam meus sonhos todos numa única esperança? E minhas lembranças todas numa única memória? Qual o tamanho do espaço para se guardar saudade? Qual o prazo de validade para guardar uma felicidade? Em que buraco fundo se escondem todos os medos? E quão pequena deve ser a área reservada para as decepções?
Quantas músicas ainda me farão chorar? E com quantos comerciais ainda vou me emocionar? Quantos dias não vou ver passar porque trabalhei demais? Quantas imagens deixarei de ver porque estava olhando demais o celular?
Para cada pergunta, há sempre um mundo de respostas. Um mundo daqueles que não cabe nessa folha de papel. Um mundo daqueles que não cabe num mundo inteiro. Um mundo daqueles que permite ter quantos sonhos quiser ter. Um mundo cheio de mundo. Dentro de cada um. Dentro de mim. Dentro de cada pergunta. Tem sempre um mundo de perguntas. E vários mundos de respostas. Que mundo!
domingo, abril 22, 2012
De onde vem
Que me rasguem o peito e deixem sair as palavras. Ao contrário do que dizem, elas não moram no cérebro e sim no coração. Se um poeta tem o coração na ponta do lápis é porque é a emoção quem cria - a razão só conduz o traçado.
domingo, abril 08, 2012
Despedida
Um rompimento sem exageros
Para alguns, só questão de momento
Incompatibilidade de gênio, outros dirão
Para quem vai, é um misto de alívio e solidão
Pra quem fica misturam-se o vazio e a gratidão
Fotos, roupas, cartas
As bagagens vão se multiplicando pelo chão
Mas as lembranças não se vão
Oito anos não cabem em caixas
Para alguns, só questão de momento
Incompatibilidade de gênio, outros dirão
Para quem vai, é um misto de alívio e solidão
Pra quem fica misturam-se o vazio e a gratidão
Fotos, roupas, cartas
As bagagens vão se multiplicando pelo chão
Mas as lembranças não se vão
Oito anos não cabem em caixas
domingo, março 11, 2012
Conexões
No meio da praça tinha uma estátua. E do lado da estátua tinha um flautista.
Em frente à praça, tinha um moço. E o moço olhava e ouvia o flautista com os olhos cheios de lágrimas.
Porque dentro do moço havia um coração solitário. E dentro do coração vazio o som da flauta vibrava. E dentro da flauta, o sopro triste do flautista se transformava.
Em frente à praça, tinha um moço. E o moço olhava e ouvia o flautista com os olhos cheios de lágrimas.
Porque dentro do moço havia um coração solitário. E dentro do coração vazio o som da flauta vibrava. E dentro da flauta, o sopro triste do flautista se transformava.
quinta-feira, março 01, 2012
Quando tempo dura um segundo
Uma janela aberta, um céu desnudo, mostrando todos seus detalhes para quem quer ver. Uma música suave ao fundo, um cheiro de felicidade pelo ar. Dois olhos perdidos em outros dois que buscam cumplicidade e companhia, mesmo que seja só por um momento. O toque suave e quente, duas bocas que se unem, dois corpos que se atraem. O mundo lá fora não mais existe. As estrelas são testemunhas caladas de uma noite sem pressa de acabar, sem compromisso de continuar. Pelo menos só por hoje.
sexta-feira, fevereiro 24, 2012
Bem vindo
Podia ouvir passos. O ambiente estava escuro, mas era possível saber que tratava-se de um espaço grande. À medida em que se acostumava à escuridão podia saber que havia muitas cadeiras. E um palco. Sim, definitivamente havia um palco. E os passos? Eram os seus. Havia tanto tempo que não prestava atenção em si mesmo que tinha esquecido seus próprios sons. A penumbra já não incomodava mais. Pisou mais forte para se reconhecer. E mais uma vez. Bateu palmas, respirou fundo. Passou a mão pelos cabelos e depois pelo corpo. Sim. Estava vivo. De novo. De volta. Podiam abrir as cortinas.
sexta-feira, abril 22, 2011
Apenas uma vez
Não fosse pelo meu desconcerto
Pela minha falta de jeito
Teria lido o que seus olhos queriam dizer
E, quiçá tivesse feito isso,
Teríamos vivido o amor mais lindo que o acaso já sentenciou
Mas meus olhos fugiram dos seus
E seus braços dos meus
E o que poderia ficar mais próximo já não se pode ver mais
Ficou pra lá das fronteiras, além do oceano,
E talvez não aconteça jamais.
domingo, fevereiro 27, 2011
V tem som de valsa
Levar a vida levemente
Ser levada, deixar-se levar
Livrar-se dos vícios
Livre para poder viver
Sem vãos
Sem véus
Vida vivida velozmente
Vagueando num vai-e-vem vertiginoso
Vislumbrando-se, por vezes,
Com a volúpia de valsar cada dia.
Ser levada, deixar-se levar
Livrar-se dos vícios
Livre para poder viver
Sem vãos
Sem véus
Vida vivida velozmente
Vagueando num vai-e-vem vertiginoso
Vislumbrando-se, por vezes,
Com a volúpia de valsar cada dia.
sábado, janeiro 29, 2011
Substrato
E a comichão que me acomete é similar àquela coceirinha que se sente na sola do pé: ninguém vê, mas incomoda muito.
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