Translate

domingo, novembro 01, 2009

Sobre o esquecimento

Os dias vão voltar a ser o que eram antes. Noites agitadas, semanas concorridas. O vazio vai ser preenchido com a presença de umas tantas novas pessoas. O cenário frio vai ser substituído pelas cores fortes dos novos lugares.

E o esquecimento vai chegar. Não propositadamente ou com a intenção de magoar. Só porque o que era grande, visto de longe, tornou-se pequeno. E vai chegar um momento que, de tão pequeno, nem valerá a pena lembrar.

segunda-feira, outubro 12, 2009

Todo dia é essa mesma labuta

Vou caminhando pela cidade, por esse mar de gente que vem e que vai para todo lugar, sempre com pressa, pouco ou nada vendo quem vai ao lado. Ouço no rádio que os economistas acham que a taxa de juros subirá 1,5%. Anoto mentalmente que preciso ler mais sobre o assunto, afinal, é a típica informação que vai interferir em todos os pontos do meu cotidiano, do meu trabalho às compras do mercado.

Enquanto aguardo pelo ônibus, vejo passar uma moça que leva a edição diária de um dos jornais populares gratuitos distribuídos em semáforos e terminais urbanos. Na capa, a China estampada. Época de olimpíadas, aliás, quando começam os jogos mesmo? Puxa, preciso prestar atenção nas datas e na programação para ver o que consigo assistir.

Já dentro do coletivo, mudo a estação e volto à leitura do meu livro. Essa é a vantagem de não dirigir: aproveito o tempo no trânsito para ler. No rádio, a nova música de uma das minhas bandas preferidas. O álbum foi lançado esta semana. Preciso passar numa loja de CD e ouvir as outras e, além disso, me atualizar. O que estarão fazendo todas as outras bandas que eu gosto?
Já no trabalho, um milhão de coisas novas na caixa de mensagens. Como as pessoas gostam de mandar email! Tanta coisa pra ler, muitas requerem aprofundamento teórico. Preciso procurar um curso mais específico dos assuntos que tenho tratado, para não ficar desatualizada. Preciso ler também as notícias diárias da empresa, da concorrência e do mercado. Em algumas apenas passo os olhos pelos títulos, não dá tempo de ler tudo, o telefone toca e me pede para sair da mesa, lá vou eu.

No almoço, conversas giram em torno de política. Estamos em ano eleitoral. Mais um assunto para prestar atenção, quem são os candidatos, quais as propostas, quais as campanhas malucas. Tanto diz-que-me-disse precisa ser validado, opinião todo mundo tem uma, sempre diferente. E as eleições nos Estados Unidos então? Comício mundial, disputa acirrada. Quando é que eles vão decidir mesmo?

No celular chega uma mensagem: “Cinema hoje à noite?” Me recordo que deixei o guia cultural em casa e não tive tempo nos últimos dias de me atualizar sobre o que está em cartaz. Respondo dizendo que sim e que aceito sugestão de filme, ainda bem que quem convida tem um gosto confiável.

Volto a sentir as mesmas dores musculares e de cabeça e lembro que ainda não fui ao médico. Nem ao dentista. Acho que preciso de atividades alternativas, mas até hoje não fui a nenhuma academia ver os cursos e aulas que listei caprichosamente numa folha da agenda.

Levo, pro caminho de volta, umas tantas coisas para revisar e outras para ler. Mas a dor de cabeça tomou proporções intensas e prefiro fechar os olhos e ligar o rádio novamente. Na estação, o repórter dá as últimas notícias do trânsito. Agora tem rodízio de caminhões também. E ainda estão discutindo a questão do pedágio no centro expandido. Os impactos estão sendo medidos, números, depoimentos, manifestações contra e a favor. Não estou tão por dentro do assunto, mudo, prefiro ouvir uma música. Na outra sintonia, um programa que temático explica o contexto histórico de cada canção. Como eu gostaria de entender mais de jazz. E de blues. E de outros tantos ritmos e das produções. Faço a promessa mental que vou estudar mais sobre o assunto no fim de semana.

Corro pra dentro de casa. Uma ducha rápida, mas necessária, relaxa o corpo tenso de tanta agitação. No jantar, penso que deveria me interessar mais pelo que estou comendo. Ter uma dieta equilibrada, não para emagrecer, mas para ser saudável. Eu deveria entender pelo menos um pouquinho do que cada alimento faz. Não é papo pra quando se está com fome. Na TV, o fim do jornal da noite traz notícias que nem sequer chegaram perto de mim durante o dia: seqüestros, futebol, violência no RJ, fofoca da semana e efeitos do calor excessivo em alguns lugares do mundo.

Deito com a sensação de que não sei mais nada. Nada além do que gira em torno do meu umbigo. Olho pro relógio, injusto. As horas passaram tão rápido que nem o tempo necessário de sono eu terei. Penso em procurar um curso sobre gestão do tempo. Quem sabe assim, eu economizo uns minutos e aí eu posso ler mais, saber mais, sobre esporte, educação, geografia, as guerras, as eleições, sobre entretenimento, sobre saúde, sobre política, sobre...

Zzzz

domingo, agosto 23, 2009

Brincar de ser feliz

Sentado no meio da praça o palhaço chorou. Ele estava ali parado, vendo tanta gente indo e vindo e não se vendo. Faltava cor nas roupas, nas maçãs do rosto. Sobrava pressa, faltava atenção. Procurou ansiosamente por brincadeiras nas calçadas, abriu ouvidos atrás de risadas. Encontrou o cimento vazio e escutou apenas o som do motor dos carros e das buzinas. E quando já não acreditava mais em mágica, sentiu um leve puxão na barra da calça. Dois grandes olhos de jabuticaba o fixavam, enquanto os lábios da pequena menina se abriam para perguntar:

- Moço, por que seu nariz é vermelho?

sábado, agosto 08, 2009

Mensagem aos meus amigos

Foi no banco da faculdade ou na cadeira do trabalho. Ou talvez no show dealguma banda esquisita, ou por meio de algum amigo estranho. Deve tercomeçado com um “oi”, que com o tempo e a intimidade virou “oiiiii, tudobeeem?” e aí danou-se, já estávamos envolvidos. Talvez nem tenha sido assimtão rápido, você pode não ter ido muito com a minha cara de começo, nem eucom a sua. Mas, como o destino é uma criança arteira que gosta de escondersuas meias, cá estamos nós, você e eu, partilhando coisas das nossas vidas.Você já deve saber muitas coisas de mim, assim como eu já sei muitas devocê. Devo saber seu animal preferido, ou se você não gosta de animal, ondegosta de ir, o que gosta de ouvir e se vai no cinema. Você possivelmentesabe bem que eu tenho problemas com telefones e que geralmente não ligo,que eu sofro de rabugentice e que se enfio uma ideia na cabeça... difíciltirar. Também deve saber que sou meio argentina. Ok, pode zuar. Essa é aparte onde eu sei que tipo de piada você vai fazer comigo por causa disso.Você sabe quando estou brava, eu sinto quando você está triste, ambossentimos saudades. Porque o mesmo destino arteiro trata de deixar algumaspessoas numa distância geográfica que não nos permite ver / tocar / falartodo dia. Mas ele não nos permite esquecer. Não quando é de verdade. Porquequando não é, a mente libera espaço para novas coisas e novas pessoas. Equando é pra sempre, o coração abre espaço. Espaço pra gente dividir, mesmoque seja virtualmente, só por pensamento, só de lembrança. Espaço semtempo, porque não são os dias que vão contar nossa história. É a nossahistória que conta os dias. Os dias que faltam para a gente se ver. Parater notícias. E a nossa história conta muito mais coisas: sorrisos,gargalhadas, lágrimas, abraços, noitadas. É, amigo, não tem mais jeito:ficamos um na história do outro e vai ser sempre assim. Marcados para aeternidade. Eternamente amigos.

segunda-feira, julho 20, 2009

Eu não quero ter que pedir o seu tempo. O tempo que eu quero é aquele que você quer me dar.

domingo, julho 12, 2009

Sobre a família

Uma pessoa. Chega outra. E mais uma. Várias, até que a casa fique cheia. O tom da conversa é alto e os assuntos se confundem. Muitas vozes, muitos timbres. Rádio ligado, panela no fogo. Na mesa, copos, pratos, talheres e muita comida. Acaba o suco, busca outra garrafa. O telefone toca. O celular toca. O cachorro late. As crianças gritam. Os adultos contam piadas. Alguns reclamam. O barulho da televisão se mistura aos outros. O cachorro late de novo. Os adultos reclamam mais uma vez. As crianças agora choram. Pega a sobremesa. Mais louça pra lavar. Começa a chover. Corre pra tirar a roupa do varal. O assunto agora é o tempo, mas por pouco tempo. O programa da TV traz um tema novo, que logo emenda em outro e a conversa se perde e se divide em muitas novamente. Cheiro de café vem da cozinha. Barulho de talher. Bebida quentinha. Bolinho gostoso. Açúcar. União. Família.

domingo, julho 05, 2009

Avenida Paulista

Pode tirar foto mesmo, seu moço. Este é o lugar mais encantador desta cidade. É daqui, deste pedaço, que você mais vai sentir saudade...

quarta-feira, junho 24, 2009

Homem primata

Algumas pessoas se parecem com macacos mais do que outras. E não somente por características físicas.

Por um mundo com noção

O que as pessoas realmente precisam é de noção. A paz vem como decorrência disto.

quinta-feira, junho 11, 2009

Procura-se

A única presença que restou foi do corpo
A mente já se foi, o espírito perdeu-se numa curva sem fim
Só resta ausência nessa presença
Falta de olhos emocionados, de calafrios, de calor
Sobra medo, solidão e desapego
É um mar negro que não vislumbra as brancas velas
Um vazio mudo que não sabe mais escutar
Perguntas com respostas em branco
Um baile sem música
Livro sem autor
Foi a pressa? Seria culpa da ansiedade?
Se tudo tem um propósito
Ele deve estar escrito nas entrelinhas.