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segunda-feira, dezembro 29, 2008

Uns

Um botão de rosa para comover.
Um anel para celebrar.
Uma pétala para guardar.
Uma carta para contar.
Um suspiro para recordar.
Uma lágrima para despedir.
Um sorriso para perdoar.

Todo mundo é sempre um pouco muito sozinho.

sábado, dezembro 20, 2008

Aprendizados de um ano velho

Às vezes o melhor que a gente tem a fazer é deixar a porta aberta. Não é trancando a passagem que conseguiremos impedir que algumas coisas se vão: há sempre uma fresta de janela. Nem tudo o que a gente quer que seja para sempre pode ser e nem tudo o que a gente quer que vá embora vai no momento em que achamos mais conveniente. Paciência é uma virtude, desapego é um dom. Não somos donos de nada, a não ser das nossas próprias escolhas. O que já passou pode vir disfarçado numa nova já vivida situação. Os próximos passos dependerão do que você aprendeu antes.

Não devemos dizer adeus para nada. Somos feitos de uma massa de experiências e lembranças misturadas. Pelo menos em nossa mente, uma hora, tudo volta.

Até logo, 2008.

Meu presente de Natal para a Gaborin

Costumo jogar aqui palavras perdidas na minha cabeça insana. Mas o pedido de uma amiga chegou por essas vias internéticas e só porque é a Gaborin Gaboriela, alguém que eu admiro e quero bem pra caramba, também vou brincar de "meme" ("meme" significa criar um post com uma idéia e fazer com que outras pessoas escrevam sobre esse mesmo assunto dando seu ponto de vista.”, explicação de Alexandre Fugita, escritor do site TechBits).

Então, lá vai:

  1. Primeiro as regras:
  2. Colocar o link de quem te indicou pro meme;
  3. Escrever as regras antes do meme pra deixar a brincadeira mais clara;
  4. Contar os 6 fatos aleatórios sobre sua honorável pessoa;
  5. Indicar 6 blogueiros pra continuar o meme;
  6. Avisar para esses blogueiros que eles forma indicados;

Seis fatos aleatórios de uma só Suzina:

1) Sou uma Suzina que adora cachorros, coleciona patos, tem uma queda por llamas, mas que até hoje não teve nenhuma vontade de ter filhos.

2) A Suzina aqui em questão também gostaria que comer fosse livre arbítrio e não uma obrigação e parte da rotina do dia-a-dia. Por mim, as pessoas comeriam só quando quisessem e não passariam mal ou ficariam doentes por ficar um mês sem comida.

3) Dirigir e nadar são coisas que a Suzina nunca fez e que descobriu que tem bastante medo de fazer.

4) Mais de qualquer outro gesto, Suzina gosta de abraços. Uma pessoa pode ser muito legal para mim até eu descobrir que ela não gosta de abraços ou receber um abraço frouxo da própria. Tenho mania de estudar as pessoas pelo abraço que elas dão.

5) Suzina não gosta de nhemnhemnhem ou mimimi, como preferirem. Objetividade é minha preferência.

6) Para provar que poderia fazer coisas que nunca tinha feito, este ano Suzina pintou as unhas de vermelho pela primeira vez (das mãos e dos pés!), furou pela segunda vez a orelha e topou beber mais do que três caipirinhas numa só noite: e não ficou bêbada!

Pronto, tá aí meu "meme". Para quem eu indico? Difícil... Para todo mundo que quiser fazer... Pronto, isso! Você, que está lendo, tem aí o meu convite!

=)

domingo, dezembro 07, 2008

Sobre o esquecimento

Esquecer. Não lembrar mais. Do que é que a gente costuma não se recordar? Geralmente, de tudo aquilo que dizemos que lembraremos. Enquanto isso, todas as coisas que tentamos trancafiar no baú das memórias perdidas ficam vivas e sedentas de atenção. Muitas vezes porque simplesmente não queremos esquecer. Nossos lábios proferem canções de despedida, mas tudo não passa de um rito velado de mumificar uma lembrança dolorida.
Ser esquecido é tão doloroso que se as pessoas pudessem grudariam post-its com seu nome no coração umas das outras.

segunda-feira, novembro 24, 2008

Momento nostalgia

Quanto mais distante se fica, mais próximo estamos daquilo que deixamos para trás porque é a saudade que nos une. Passado é coisa de quem tem histórias e quem não quer contar as suas é porque ainda não se arrependeu de não sentir nostalgia. Presente é a oportunidade que se tem de fazer coisas que possam ser memoráveis depois, sem pensar em grandes coisas, mas sim naquelas que para nós pareçam grandes, mesmo que seja sentar no degrau da escada e ver a vizinhança passar ou botar a mala nas costas para morar em outro lugar. Qualquer coisa que chegue ao coração. Nada, mas nada mesmo, que não chegue perto de tocá-lo poderá ser lembrado depois com brilho nos olhos e saliva na boca. Saliva de vontade de viver tudo de novo, de voltar a ter 7, 8 anos e correr pelas ruas esfolando o joelho, caindo e levantando porque não se tem tempo para perder e porque chorar por besteira não vale a pena. Vontade de encontrar o primeiro amor, só porque as pernas ficavam bambas, de ir pra escola, de dormir na casa dos amigos, de empinar pipa e chutar bola na rua e de tantas outras coisas mais. Sem perceber, toda vez que recomeçamos ou damos início a alguma coisa é porque temos a vã ilusão de que poderemos ser tão despretensiosamente felizes como éramos antes, quando a palavra felicidade não fazia parte da lista de objetivos. Nem dos do dia, nem dos da vida, diga-se de passagem.

quinta-feira, novembro 13, 2008

sábado, novembro 01, 2008

A última folha em branco

Aquela angústia presa, afoita por liberdade, ganhou como única forma de expressão umas tantas folhas em branco e um lápis mal apontado. Por um instante, olhou praqueles pedaços de papel com o desprezo por um objeto que não tinha e não representava nada. Porém, aos poucos, foi percebendo que ali podia confiar seus maiores segredos, seus anseios, suas fraquezas, seus medos. Bastava dobrar e enfiar a prova no bolso e todo o resto estava seguro. Identificou-se, pela primeira vez, com os tais instrumentos "novos". Com eles e depois deles, tudo parecia ficar mais fácil. Aquela ferida dolorida, depois de exposta, ali, ficava tão pequenininha... As histórias que pareciam grandes não ocupavam mais do que cinco ou seis linhas. Mas chegou um dia em que se desesperou: restava apenas uma única e simples folha. Nada mais. Do lápis só restava um toco. E tinha ainda tantas histórias para contar... tanta coisa para dividir... A partir desse dia, passou a esperar pelas maiores coisas, para registar só aquilo que fosse realmente importante. E passou a viver mais, sempre na esperança de que o próximo momento fosse muito maior do que o que havia passado. E à medida em que cada um acabava, era só a expectativa que aumentava.

A última folha em branco continuava intacta, à espera.

sexta-feira, outubro 17, 2008

CV

Faço parte das poucas (e dos poucos) Suzinas nesse mundo. Além de mim, só minha mãe, minha irmã, um tio e mais três primos. E uma colina na Croácia. Nasci e cresci numa cidade do Paraná que parecia grande, mas tinha jeito de cidade bem pequena: Ponta Grossa. Trabalhei desde os 10 anos nos movimentos da igreja perto da minha casa, onde descobri minha paixão por gente, por conquistar públicos, por organizar eventos e planejar atividades. Desde os 11 já sabia que queria fazer Comunicação. Antes disso, queria mesmo era ser carteira. Troquei muitas correspondências com amigos, uma caixa cheia delas. Aos 18, mudei com minha família para Curitiba, para minha primeira jornada de trabalho durante o dia e estudo durante a noite. Estudei sempre em escola pública e tenho saudades dos corredores do colégio, das cantinas e das carteiras grandes de madeira. Prestei vestibular durante 4 anos. Tentei outros cursos antes de me decidir oficialmente pelas Relações Públicas: Jornalismo, Design Gráfico, Publicidade... Prestei Metodista de São Paulo por acaso, sem intenção nenhuma de largar casa-mãe-emprego. Passei e ganhei uma bolsa de estudos irrecusável. Mudei de novo, para morar com minha irmã. Um mês depois da minha chegada ela voltou pro Paraná. E aí fiquei sozinha. Trabalhei em agência de publicidade, em clínica de ortodontia, em ong, em petroquímica. Fiz freela quando fiquei desempregada, em assessoria de imprensa e em agência de eventos, sendo a mocinha que abria portas num Congresso. Neste último, ganhei em quatro dias o que ganharia em um mês. Trabalhei voluntariamente tentando fazer assessoria de imprensa para uma banda. Gosto de música. E de cinema. E de literatura. Tenho um blog. Acho meus textos piegas, mas publico. Adoro a cultura da América Latina. Amo a Argentina e o Rio Grande do Sul. Gosto de frio com céu azul. De comer fandangos com danoninho. Cheirar o pó de café me traz uma sensação boa. Adoro bolo de cenoura, arroz com feijão preto e lingüiça frita. O som que mais ouço é rock, o escritor que mais leio é Luis Fernando Verissimo e vou ao cinema para ver filmes alternativos. A pessoa de quem sinto mais saudade é meu pai. Coleciono patos. Quero fazer um curso de Economia. Tenho planos de conhecer Londres, Santiago do Chile, Dublin e Córdoba. Adoro cachorros e a minha é Bela. Não sei dirigir. Estou aprendendo a nadar. Tenho taquicardia e enxaqueca, mas preciso mesmo é cuidar da prolixidade. Quando começo a escrever, fica difícil parar.

terça-feira, outubro 14, 2008

Uma noite daquelas

Hoje tá uma noite daquelas... Daquelas em que você quer ficar pela rua, andando, bebendo, cantando, vendo gente e arrumando pretexto para ficar sempre mais. Daquelas noites que te fazem até acreditar que o mundo é perfeito e todas as pessoas são felizes. Quem me dera... A lua tá lá, redonda, majestosa, imponente, esbanjando sedução. E nada desse papo piegas, que tá com ar de enamorada e coisa e tal. Se ela tivesse olhos, eles, hoje, nesta noite, estariam cheios de malícia. Convidando pra esticar mais um pouquinho e dando mais uma razão para não voltar pra casa tão cedo.
Hoje tá uma noite daquelas de cidade de interior, que mesmo bem tarde da noite ainda tem gente sentada no banco da praça, de papo.
Tá uma noite daquelas de sentir saudade das boas companhias. Dos bons amigos. Daquelas em que você liga pra convidar alguém para dividir o banco da praça. Ou vai na casa da pessoa mesmo. Uma noite daquelas de querer levar a cama pra fora, deitar sob o céu estrelado e adormecer entorpecido com o ar da madrugada.
Hoje tá uma daquelas noites em que é bom ter alguém do lado, pra comentar da brisa, do vento nos cabelos, da sensação de arrepio, de olhar bem fundo nos olhos e deixar que deles saiam as palavras. Uma daquelas noites que depois viram livros.
Hoje tá uma daquelas noites que a gente quer que não termine.

domingo, outubro 12, 2008

Leva e traz

Porque tem aqueles dias em que você se sente um tolo e a saudade aperta e vai trazendo com ela todas as lembranças que, pelo menos agora, você está tentando esquecer. Voltam todas as imagens e todas as sensações. E você fica ali, parado, como se tivesse esquecido o caminho que tem que seguir para chegar no seu destino. Na verdade, você começa a questionar o próprio destino. Era para lá mesmo que você queria ir? Quanta coisa muda no meio do percurso. Algumas coisas que levamos a gente descobre que é tralha velha, aquelas às quais nos apegamos, mas que só nos fazem sentir mais cansaço. E tem aquelas outras tantas, que descobrimos que, por mais que se queira deixá-las para trás, estão muito bem amarradas na nossa história e que vão deixar marcas em nosso rastro. A mala da viagem não é muito grande, por isso nem sempre o que queremos levar cabe lá dentro. E, mesmo que caiba, é preciso deixar um espaço vazio, para preencher com o que de bom encontrarmos no caminho. Fazendo trocas, vamos mantendo o peso adequado para não desistir da jornada. A dor do abandono às vezes é maior do que o prazer de agregar o desconhecido. E vamos andando, nesse eterno jogo de perder e ganhar, deixar e levar, sorrir e chorar até que descobrimos que algumas coisas que tivemos que largar em algum pedaço da estrada, e que achamos que não seriam mais recuperadas, ficaram bem guardadas, dentro do nosso coração. Aquilo que realmente importa não pesa.