Resisto, implico, insisto. Por que é tão difícil se soltar e deixar que a vida rume o caminho que deve seguir?
Nos ensinaram desde sempre que temos que ter controle do nosso mundinho, que devemos segurar as rédeas de nossa existência e, assim, o sofrimento perpetua, passado de geração em geração.
Nossas experiências com a retidão nos coroam publicamente, mas deixam grandes marcas e cicatrizes dentro de nós.
Enquanto a nossa mente é livre e viaja por todos os cantos onde gostaríamos de estar, nossos sentimentos são jogados e presos em celas, em cantos escuros de nosso coração.
Triste herança, ousado hábito a se adotar.
Porque cada pessoa é um mundo, e tem muito mundo nesse mundo pra conhecer
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segunda-feira, fevereiro 18, 2008
sexta-feira, fevereiro 15, 2008
Disfunções hormonais
Quanto tempo desperdiçado em divagações alucinógenas.
Quantas horas perdidas pensando naquilo que não existe.
Quantas mágoas guardadas por situações que não aconteceram.
Quanta raiva sentida por razões sem justificativa.
Quanto prazer a TPM nos tira?
Quanto dinheiro gasto com feminismos?
Quantos botecos perdidos...
Quantas horas perdidas pensando naquilo que não existe.
Quantas mágoas guardadas por situações que não aconteceram.
Quanta raiva sentida por razões sem justificativa.
Quanto prazer a TPM nos tira?
Quanto dinheiro gasto com feminismos?
Quantos botecos perdidos...
terça-feira, fevereiro 05, 2008
Dois toques
Hesito diante do telefone. Será que devo?
Queria ouvir sua voz, mas não quero que perceba que estou doída de saudade. E não quero porque sou tola, insegura. Percebo com isso que ainda não aprendi a dar a cara ao tapa para assumir o que sinto.
O telefone está aqui, ao alcance da minha mão. Giro-o com os dedos enquanto meu estômago se espreme de ansiedade. Eu não sei se já descobriram, mas definitivamente ele se conecta de alguma forma ao coração, porque à medida em que as batidas ficam mais intensas, a náusea aumenta.
Ridícula! E qual é o problema se ele achar alguma coisa? O que você sente é seu e não faz nem de você nem dele pior ou melhor, maior ou menor.
Ligo? Não ligo. Ligo! Afinal, no fundo, é o que quero. Falar, saber como está.
Liguei. Um toque. Será que desligo? Dois toques.
- Alô?
Queria ouvir sua voz, mas não quero que perceba que estou doída de saudade. E não quero porque sou tola, insegura. Percebo com isso que ainda não aprendi a dar a cara ao tapa para assumir o que sinto.
O telefone está aqui, ao alcance da minha mão. Giro-o com os dedos enquanto meu estômago se espreme de ansiedade. Eu não sei se já descobriram, mas definitivamente ele se conecta de alguma forma ao coração, porque à medida em que as batidas ficam mais intensas, a náusea aumenta.
Ridícula! E qual é o problema se ele achar alguma coisa? O que você sente é seu e não faz nem de você nem dele pior ou melhor, maior ou menor.
Ligo? Não ligo. Ligo! Afinal, no fundo, é o que quero. Falar, saber como está.
Liguei. Um toque. Será que desligo? Dois toques.
- Alô?
segunda-feira, fevereiro 04, 2008
Sem aviso
Bang!
O bandido atira e acerta. O mocinho cambaleia pra um lado e para outro, com a mão posta no coração como se pudesse com a ponta dos dedos prover a mágica de curar todo mal que faz doer.
Seus dedos são curtos, sua fé é pouca e a multidão que tudo acompanhava foi embora num estalido. Ficaram só ele, a dor e a pouca vida que aos poucos também se retirava.
O bandido atira e acerta. O mocinho cambaleia pra um lado e para outro, com a mão posta no coração como se pudesse com a ponta dos dedos prover a mágica de curar todo mal que faz doer.
Seus dedos são curtos, sua fé é pouca e a multidão que tudo acompanhava foi embora num estalido. Ficaram só ele, a dor e a pouca vida que aos poucos também se retirava.
sábado, fevereiro 02, 2008
Marcado pelo destino
Era sempre assim: quando as dores chegavam para dilacerar sua alma, sentia como se tivesse aberto os braços para uma chuva de pequenas agulhas que caíam, atiradas propositadamente contra ele. Podia ver-se fechando os olhos, sabendo cada passo da dor que iria sentir, como se estivesse predestinado a sofrer sempre esta angustiante situação.
E sentia que as dores lhe pertenciam porque precisava conhecer cada uma delas, de todos os jeitos, sentir tudo o que havia para se sentir, para poder entender do que sofriam as gentes com quem vivia e assim, conseguir dar um pouco de conforto e alívio para elas, nem que fosse só com um gesto, só com um toque ou só com uma palavra.
O destino lhe tinha sinalizado e o encontraria sempre. Já estava certo disso e por esse mesmo motivo nem fazia nenhuma tentativa de fuga. Sabia que seria inútil. Aonde se escondesse, por onde andasse, ele se confrontaria com a verdade absoluta de sua vida, a missão a que tinha sido destinado desde o momento da sua concepção: a do sentir para ser. E só.
E sentia que as dores lhe pertenciam porque precisava conhecer cada uma delas, de todos os jeitos, sentir tudo o que havia para se sentir, para poder entender do que sofriam as gentes com quem vivia e assim, conseguir dar um pouco de conforto e alívio para elas, nem que fosse só com um gesto, só com um toque ou só com uma palavra.
O destino lhe tinha sinalizado e o encontraria sempre. Já estava certo disso e por esse mesmo motivo nem fazia nenhuma tentativa de fuga. Sabia que seria inútil. Aonde se escondesse, por onde andasse, ele se confrontaria com a verdade absoluta de sua vida, a missão a que tinha sido destinado desde o momento da sua concepção: a do sentir para ser. E só.
domingo, janeiro 27, 2008
Nuvem cinza no céu anil
E no céu de anil apareceu uma nuvem cinza.
E ela roubou a cor do dia.
E da nuvem cinza jorrou água, como há muito tempo não se via.
E tanta chuva encharcou quem ficou ali e não quis correr e se esconder.
E a nuvem veio sem pressa de ir embora.
E ela veio para provar que dias azuis não duram para sempre.
Ou apenas para provar que eles não são completamente azuis.
O céu é que é muito grande.
E ela roubou a cor do dia.
E da nuvem cinza jorrou água, como há muito tempo não se via.
E tanta chuva encharcou quem ficou ali e não quis correr e se esconder.
E a nuvem veio sem pressa de ir embora.
E ela veio para provar que dias azuis não duram para sempre.
Ou apenas para provar que eles não são completamente azuis.
O céu é que é muito grande.
Caixas de nostalgia
Mudar de casa traz além de novas expectativas de vida um mundo de recordações que vivemos até hoje.
Em cada gaveta, em cada caixa, um monte de lembranças. De tempos idos, quando amávamos com o mesmo desespero com que chorávamos nossas desilusões. De épocas em que nossos dias se dividiam entre estudar e sair para a rua encontrar os amigos.
Amigos que foram os melhores durante anos, meses, dias. Amigos que ainda são os melhores. Amigos que mesmo que o tempo tenha levado pra longe, quando encontramos, é como se nunca tivessemos ficado sem contato.
São fotos, são bilhetes, são agendas. Um mundo de registros que nos confirma o quanto fomos felizes. E que precisavamos de muito pouco para nos sentirmos assim.
Ah, quanta saudade...
Em cada gaveta, em cada caixa, um monte de lembranças. De tempos idos, quando amávamos com o mesmo desespero com que chorávamos nossas desilusões. De épocas em que nossos dias se dividiam entre estudar e sair para a rua encontrar os amigos.
Amigos que foram os melhores durante anos, meses, dias. Amigos que ainda são os melhores. Amigos que mesmo que o tempo tenha levado pra longe, quando encontramos, é como se nunca tivessemos ficado sem contato.
São fotos, são bilhetes, são agendas. Um mundo de registros que nos confirma o quanto fomos felizes. E que precisavamos de muito pouco para nos sentirmos assim.
Ah, quanta saudade...
sábado, janeiro 19, 2008
Seguro desconforto
Com medo de me perder, me contive.
E percebi, para minha surpresa, que desse jeito mais perdida fiquei.
Sem caminho e sem solução.
Perdi o trem que me levaria talvez para um feliz lugar desconhecido
Deixei passar a oportunidade de me deixar levar
Fiquei aqui, sentada, com a minha segurança ignorante,
Apoiando os braços numa mala de saudade.
E percebi, para minha surpresa, que desse jeito mais perdida fiquei.
Sem caminho e sem solução.
Perdi o trem que me levaria talvez para um feliz lugar desconhecido
Deixei passar a oportunidade de me deixar levar
Fiquei aqui, sentada, com a minha segurança ignorante,
Apoiando os braços numa mala de saudade.
segunda-feira, janeiro 14, 2008
Uma só
Me empresta uma palavra?
A sensação boa que me causas me deixa sem nenhuma
Fico aqui, sentada, olhando a página em branco
Esperando que a caneta traduza tudo aquilo que queria dizer
Corro os olhos para o alto em busca de algo que não consigo explicar
Busco no físico algo que não verei nunca
Por favor, entenda meu silêncio e não o recrimine
Pois o que quero partilhar é tudo aquilo que sinto
Que está aqui guardado
Dentro desta lata velha que também ouso chamar de coração.
A sensação boa que me causas me deixa sem nenhuma
Fico aqui, sentada, olhando a página em branco
Esperando que a caneta traduza tudo aquilo que queria dizer
Corro os olhos para o alto em busca de algo que não consigo explicar
Busco no físico algo que não verei nunca
Por favor, entenda meu silêncio e não o recrimine
Pois o que quero partilhar é tudo aquilo que sinto
Que está aqui guardado
Dentro desta lata velha que também ouso chamar de coração.
domingo, janeiro 13, 2008
Sobre o silêncio
Quanta coisa pode ser escondida pelo simples fato de não existirem palavras?
Nos calamos com freqüência quando não temos as respostas certas ou apenas quando não temos coragem o suficiente para proferi-las. E não somente porque a verdade possa doer, porque a tememos mesmo quando ela revela grandes coisas boas.
Talvez porque depois que as palavras são ditas elas concretizam pensamentos e não podem ser apagadas ou modificadas. Pode ser porque nunca sabemos com antecedência a reação de quem as receberá. Ou pode ser apenas porque mesmo quando imaginamos que as dominamos, elas fogem de nós quando mais precisamos.
O fato é que, por outro lado, o silêncio também pode ser interpretado de muitas formas. E se não ousamos falar, por medo, apreensão ou timidez, estamos deixando que ele fale por nós. E sem saber se ele será um bom interlocutor. Se não dominamos as palavras, dominamos muito menos sua ausência.
Nos calamos com freqüência quando não temos as respostas certas ou apenas quando não temos coragem o suficiente para proferi-las. E não somente porque a verdade possa doer, porque a tememos mesmo quando ela revela grandes coisas boas.
Talvez porque depois que as palavras são ditas elas concretizam pensamentos e não podem ser apagadas ou modificadas. Pode ser porque nunca sabemos com antecedência a reação de quem as receberá. Ou pode ser apenas porque mesmo quando imaginamos que as dominamos, elas fogem de nós quando mais precisamos.
O fato é que, por outro lado, o silêncio também pode ser interpretado de muitas formas. E se não ousamos falar, por medo, apreensão ou timidez, estamos deixando que ele fale por nós. E sem saber se ele será um bom interlocutor. Se não dominamos as palavras, dominamos muito menos sua ausência.
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