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terça-feira, setembro 18, 2007

Um dia frio

Hoje faz tanto frio como há seis anos. O mesmo céu azul, com o sol brilhante, está ali ao alcance dos olhos de quem quiser ver. De quem puder ver.

Desde o dia de sua despedida tem um vazio que mora aqui e que nunca mais será preenchido.

Hoje o dia amanheceu exatamente como o dia da sua partida. Com a mesma dor, aumentada pela saudade que se faz cada dia mais presente.

domingo, setembro 16, 2007

Recordação

Hoje eu sentei aqui e fiquei olhando as lembranças, imagens distantes de um tempo em que fomos amigos. E felizes. E senti no peito a mesma volupia que sempre senti quando alguma coisa dava errada nesta relação e eu corria atrás de você, que era para não deixar irem embora os sorrisos partilhados. As histórias que vivemos, as lágrimas que enxugamos, as risadas que trocamos, tudo isso fez meu coração apertar de saudade. E quanta saudade!

Pensei em correr pro telefone e ligar e dizer: "corra, vem pra cá, aquele filme brega da sessão das dez vai passar de novo e nós podemos ver juntos e rir de tudo outra vez, o que acha?"

Não fosse por um segundo divisor, era isso que teria feito. Mas ali, do lado das lembranças boas, eu percebi, dobrado, amassado e escondido, o rol de lembranças amargas, doloridas e tristes que eu, por um momento, esqueci. E me perguntei se sou só eu que sinto saudade, que tenho vontade de ligar e pedir desculpas. Pô, a gente erra na vida e o que nos faz amigos é abrir os braços sempre que alguém pede pra voltar.

E foi assim que percebi, pelo teu silêncio, por tua ausência, que nada disto possivelmente importa para você. Que isso tudo que guardo com tanto carinho e me faz ter vontade de te ter perto de novo, para você não representa nada. Possivelmente para você não fomos nada, não temos nada, eu pra você sou mais um.

Carrego aqui então comigo mais algumas poucas lágrimas que deixarei correr por você. Porque a despedida, no fim, sempre faz as coisas ficarem mais belas do que elas foram. E é assim que prefiro guardar nós dois, como uma boa recordação.

segunda-feira, setembro 10, 2007

Atropelados

As pessoas não medem a velocidade com que atropelam os sentimentos dos outros.

É por isso que existem por aí tantos feridos: somos todos atropelados, algumas vezes, até pelos amigos.

sexta-feira, agosto 17, 2007

Conselhos

Situação 1: Você está lá, sentada, esperando o sei lá o quê que está para passar. De repente, cruza os olhos com o moço ali do lado, que também sabe-se lá o que está esperando, e que você descobriu que está te olhando. Pronto. Motivo suficiente para a mente viajar e você pensar que o bendito vai levantar de onde está, ajoelhar-se na sua frente e dizer que você é a mulher por quem ele estava esperando desde que nasceu. O fato é que o tal sei lá o quê que o moço estava esperando acontece e ele vai embora sem ao menos dar um sorrisinho. Você, claro, frustrada.

Conselho: Pare de ver novela.

terça-feira, agosto 07, 2007

O velho que corre

Às vezes eu tenho a impressão de que, logo, este velho pedaço de músculo, desenhado de forma tão romântica por crianças e namorados, vai cansar dessa corrida louca que ele faz todos os dias. E ele vai parar porque vai se perguntar por que é que foi que ele se apressou tanto na vida, por que é que ele saiu em disparada, como se buscasse um refúgio, garantido só pra ele em algum lugar desse imenso mar de gente.

E ele vai ver sentir que suas forças se esgotaram enquanto ele corria em círculos e que mesmo depois de tudo isso, ele não chegou em lugar nenhum além de diante de si mesmo. Ele não saiu do lugar nunca. Ele nem conseguiu que todos vissem e ouvissem seus passos apressados, sua ânsia de estar perto e de sentir junto com o outro que pulsava ali, no mundo ao lado.

Ele vai olhar pra essa cara nova que carrega, mas vai ver nela cada ruga da velhice de sua alma e vai desistir. Porque vai perceber que já correu demais e mesmo que, se a partir de agora caminhasse em passos lentos, ele não chegaria a nenhum outro lugar.

quinta-feira, julho 26, 2007

Coração deveria ter estepe. Acho que o meu está furado. Ou careca, liso e muito usado.

Faroeste

Bang!

O bandido atira e acerta. O mocinho cambaleia pra um lado e para outro, com a mão posta no coração como se pudesse com a ponta dos dedos prover a mágica de curar todo mal que faz doer.

Seus dedos são curtos, sua fé é pouca e a multidão que tudo acompanhava foi embora num estalido. Ficaram só ele, a dor e a pouca vida que aos poucos também se retirava.

quinta-feira, julho 19, 2007

A vida pára no momento em que se deixa o medo paralisar, a ponto de impedir de sonhar.

Porque o medo que não dá coragem é apenas reflexo de uma escolha mal feita.

sábado, julho 14, 2007

Sobre o fim

A fruta que cai do pé morre, mas deixa a semente na terra pra gerar nova vida.

sexta-feira, julho 13, 2007

Mal do coração

Sentir o coração bater no peito apressado e um milhão de pequenas
borboletas serem aprisionadas no estômago. Respiração ofegante, olhos
brilhantes, boca seca, mãos úmidas, cabeça zonza. O doutor diagnostica, ou
qualquer outra pessoa que olhe – o mal desse sujeito é paixão e não há
remédio que cure – eles dirão. O enfermo suplica desesperadamente por um
antídoto e obtém a resposta, sabida, mas perigosa demais para se dizer em
alto e bom tom:

- Não há remédio que cure essa enfermidade. A febre vai aumentar, a fome
vai diminuir, as noites de sono vão ficar mais curtas, os olhos vão
ganhar um brilho lombriguento. Não há nada a se fazer. Mas para amenizar
o mal, é recomendado não esconder o agente causador , pelo contrário:
abraçá-lo, rir dele, rir com ele e aproveitar cada segundo em que os
sintomas permaneçam latejando no corpo, na mente e na alma, porque depois
que passar, se nunca mais voltar, você vai sentir falta da doença que te
faz conhecer o inferno e o paraíso, mas sobretudo, te faz sentir vivo.