Translate

quinta-feira, julho 19, 2007

A vida pára no momento em que se deixa o medo paralisar, a ponto de impedir de sonhar.

Porque o medo que não dá coragem é apenas reflexo de uma escolha mal feita.

sábado, julho 14, 2007

Sobre o fim

A fruta que cai do pé morre, mas deixa a semente na terra pra gerar nova vida.

sexta-feira, julho 13, 2007

Mal do coração

Sentir o coração bater no peito apressado e um milhão de pequenas
borboletas serem aprisionadas no estômago. Respiração ofegante, olhos
brilhantes, boca seca, mãos úmidas, cabeça zonza. O doutor diagnostica, ou
qualquer outra pessoa que olhe – o mal desse sujeito é paixão e não há
remédio que cure – eles dirão. O enfermo suplica desesperadamente por um
antídoto e obtém a resposta, sabida, mas perigosa demais para se dizer em
alto e bom tom:

- Não há remédio que cure essa enfermidade. A febre vai aumentar, a fome
vai diminuir, as noites de sono vão ficar mais curtas, os olhos vão
ganhar um brilho lombriguento. Não há nada a se fazer. Mas para amenizar
o mal, é recomendado não esconder o agente causador , pelo contrário:
abraçá-lo, rir dele, rir com ele e aproveitar cada segundo em que os
sintomas permaneçam latejando no corpo, na mente e na alma, porque depois
que passar, se nunca mais voltar, você vai sentir falta da doença que te
faz conhecer o inferno e o paraíso, mas sobretudo, te faz sentir vivo.

terça-feira, junho 26, 2007

quinta-feira, junho 21, 2007

.

Um conto
Um ponto entrelaçado com outro ponto
Uma linha de pontos que se cruzam, se encontram e se abraçam.
E se rendem:
Nunca mais se soltarão.

Música

De repente, isso tudo ganha música, aquela, a trilha sonora que você escolheu num arquivo de milhões de outras tantas que você já ouviu na vida. Aquela que quando tocar no rádio e você estiver dirigindo, ou observando o trânsito parado pela janela do ônibus, vai te fazer sorrir e quem sabe até cantar.

terça-feira, junho 12, 2007

Pedaços de gente

E a gente vive uma vida inteira pregando os nossos valores e princípios, mesmo que vá contra tudo o que dizem, porque acreditamos neles e acreditamos que é o melhor a fazer.

Aí um belo dia a gente resolve ouvir os ruídos em volta, muitas vezes causados por aqueles que nos gostam, e decidimos mudar, porque talvez eles estejam certos mesmo, algumas coisas precisam ser deixadas pra trás, como marca da evolução na vida de um homem.

E a gente larga pela estrada migalhas e pedaços inteiros de nós.

Ali na frente, no dobrar da esquina da vida, a gente vai sentir falta do que foi abandonado no caminho. E vai entender que o que temos de mais rico pra dar pras outras pessoas é aquilo que nós somos de verdade. Sem faltar nenhum pedaço.

Quanto suportar

E a imagem fica embaçada, os olhos cheios de água e eu olho pro céu e pergunto:

Meu Deus, o que mais vou ter que sentir nessa vida pra entender a dor, quanto mais vou ter que chorar pra entender a lágrima, quanto mais eu vou ter que ser enganada pra entender o que é confiança e quanto mais eu vou ter que ficar distante pra sentir de fato o que é saudade?

Serei só eu que superlativizo meus sentimentos ou será que herdei um coração sensível demais?

As pessoas que olham por fora não percebem que a caixa dura de ossos protege um músculo mole, que bate incessantemente, incansavelmente, nessa ânsia eterna de entender, de sossegar, de apaziguar.

Serei só eu que não sei demonstrar o que sinto ou será que já aprendi que não adianta chorar em público?

sexta-feira, maio 25, 2007

Olhar perdido

Eu queria tanto achar
O olhar que se perdeu
Se não está aqui guardado
Com certeza deve ter vazado
Por uma frestinha nos olhos que se abriu

Pra não dizer que não falei de cones

Não existe vida mais monótona do que a de um cone. Ele fica lá, parado, aonde quer que o coloquem. Seja em grupo, para desviar caminhos ou simplesmente para tapar um buraco, solitário, um cone só se move com a ajuda de alguém. E isso pode acontecer voluntariamente ou acidentalmente, quando um cone é atropelado. E por que um cone é atropelado? Ora, pois. Porque ele não consegue sair do lugar em que o colocaram, nem mesmo numa situação de risco iminente.

O cone também é, de longe, um objeto indefinido. Na maioria das vezes não sabe se quer ser laranja ou branco, preto ou amarelo. Seu formato disforme complica seu armazenamento e impede que se carregue ele, fisicamente, por muito tempo. Mas a vantagem é que ele pode facilmente ser amontoado com outros cones.

Um cone não se move, minha gente! Ele está aí nesse mundo para fazer com que você dê uma volta maior para chegar aonde quer. Ou para testar sua habilidade de passar por entre muitos deles, ziguezagueando, sem atropelá-los ou tocá-los.

E não adianta, uma coisa é fato: pode brigar, esbravejar e gritar. Ele não vai sair do lugar. Não até que alguém o mova de lá.